Quando o meu haikai, não há quem levante VIII

Andei a esmo
disfarçado de mim mesmo.
Ninguém reconheceu…

Paulo Ferrari

 

 

 

 

 

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Não te atrevas a me anestesiar

Deixa as minhas dores em paz,
que o que arde, cura,
berra o dito popular.
Preciso delas pra me lembrar
que vida é dura,
que a vida é boa,
que a vida soa
canora agora…
e às vezes chega a hora
em que soa dissonante.
Nesse instante,
dores e prazeres se abraçam
em tudo o que já passou:
formam o que sou
e me levam adiante.

Paulo Ferrari

Onde ódio vira ode

Se quiseres
posso tecer uma série
de panegíricos genéricos,
de discursos periféricos,
só pra não desagradar.
Posso tecer uma série
fora de série
de odes encomiásticas,
pra mostrar como é plástica
a minha forma de pensar.
Posso tecer uma série
de jocosos vitupérios,
de pilhérias-despautérios,
só pra ser levado
a sério.

Paulo Ferrari

O ângulo de 360 graus

Tanta gente,
tanta tangente
e nenhuma secante.
Entre olhos, raros encontros;
voltam sempre ao mesmo ponto
na tela entre os polegares.
Não se sabe mais quantos andares
os edifícios têm.
Não se sabe mais de onde vêm
os raios solares…
Senscientes sem sentidos,
sem tino, sentindo a falta
de consciência.
Conexão é a meta,
mas a reta mal toca
a circunferência.

Paulo Ferrari
http://www.palavrite.wordpress.com